domingo, 6 de fevereiro de 2011

O BURRINHO BRANCA LEÃO

Era uma vez...

  • Havia um burrinho muito leal e fiel a seu dono. Trabalhava de sol a sol, arando a terra, puxando a carroça, e servindo de montaria à criançada, que adoravam passear em seu lombo.
  • Os anos foram passando, e o nosso burrinho continuava seu trabalho, todos os dias, sem se lamentar.
  • Como estava ficando muito velho e cansado, não tinha mais forças para o trabalho. Arar a terra? Não dava mais, puxara a carroça então, Era um desafio para um pobre velho e cansado burro! Ficava aflito e envergonhado o burrinho, pois sabia que seu dono necessitava de seus serviços, mas os anos venceram e o pobre burro já não aguentava quase nem mais andar.
  • Condoído da situação do burrinho, seu dono que era um homem muito bom, resolveu aposentá-lo. Passou-lhe a rédea pelo pescoço, e saiu caminhando, levando consigo o burrinho. Caminhou muito, e ao longe, avistou uma mata com árvores frondosas, e um capim tão tenro e macio, que seria lo lugar perfeito para o burrinho descansar, depois de uma vida inteira de trabalho.
  • As pastagens eram tão ricas, as águas puras e cristalinas de um riacho que serpenteava pela mata. Então disse ao burrinho:
  • "Homem: Olha amigo, você foi meu companheiro durante muitos anos. Trabalhou muito e ajudou a criar os meus filhos, sustentar minha família com todo esforço e dedicação. Desfrutei de sua força bruta, sua docilidade, carregou meus filhos no seu costado em seus passeios, folguedos e brincadeiras. Você merece amigão, esse descanso. Que você possa desfrutar desse capim macio, dessa água cristalina, e da sombra acolhedora de nossas amigas árvores. Você é livre." Deu um abraço em seu amigo e saiu, com o coração já cheio de saudades, desse amigo que tanto o ajudou. Caminhou um pouco e voltou-se para mais uma vez ver seu amigo, e para sua surpresa, viu que um grossa lágrima rolava dos olhos do burrinho. Mas que fazer né? Seguiu adiante.
  • Como memória de burro é muito curta, logo percebeu que estava livre, esqueceu seu dono, e começou a desfrutar de tão merecido descanso. O capim verde era um convite à sua fome. E a água então? era tão cristalina, que o burrinho se via refletido nela como em um espelho.
  • Bem, depois da farta refeição, nada melhor que uma boa soneca à sombra das árvores. E assim, ia vivendo nosso herói; seu corpo ganhou peso, os pelos ficaram lustrosos, e ele sentia suas minguadas forças voltarem.
  • Nesta mesma mata, moravam outros bichos, todos se conheciam e se chamavam pelo nome. Morava também ali um feroz leão, era temido por todos e todos falavam dele com medo, pois sua refeição predileta, eram eles mesmos, os pobres bichos indefesos. O nosso burrinho também tinha muito medo e procurava ficar sempre junto dos outros bichos. Mas, um belo dia, o burrinho se afastou de seus amigos, empolgado com uma moita de capim fresquinho, ainda úmido com o orvalho da noite. comia distraidamente, quando percebeu que alguém falava com ele.
  • "Olá amigo, muito bom dia!" O burrinho levantou a cabeça, e não sabendo que era o leão, foi amigavelmente conversar com ele e "aperta sua mão".
  • "Burrinho: Bom dia amigo! quem é você?" O leão que também não conhecia o burro, fez uma cara de bravo, e disse cheio de empáfia:
  • "Eu? sou o leão, o rei desta floresta, todos os bichos são submissos a mim e me respeitam. E você, quem é?" O burrinho tremendo de medo, achando que o leão ia devorá-lo, não sabia o que dizer; Por fim, teve uma ideia, fingiu ser valente para intimidar o leão e disse:
  • "Burrinho: E eu sou o Branca leão!" O leão ficou assustado, pois nunca tinha ouvido falar em tal bicho, e disse:
  • "Leão: Nossa, de onde você vem, que eu nunca te vi por estas bandas." O burrinho responde:
  • "Burrinho:Eu venho de muito longe, lá onde eu moro, existem muitos de minha raça." O leão que já estava começando a ficar com medo, pensou:
    "Ele vai me comer, vou disfarçar, prá ele não perceber que estou com medo." Por outro lado, o burrinho também estava morrendo de medo e pensava:
  • "Não quero virar comida de leão." E assim, um com medo do outro, iniciaram uma conversação.
  • "Leão: Porque você tem esse ferro nos pés?" O burrinho tinha ferraduras e resolveu tirar vantagens da ignorância do leão.
  • "Burro: Lá na cidade onde eu moro, as ruas são calçadas e muito bonitas, E esse ferro, não é ferro, são os meus sapatos, todos lá andamos calçados, e assim podemos correr, brincar, sem machucar nossos pés." O leão impressionado com a narrativa do burrinho, pensava:
  • " Leão: Nossa, até sapatos ele usa." Olhou para seus próprios pés, sujos, as unhas por fazer, mas não se deu por vencido. disfarçando o medo, perguntou de novo:
  • "Leão: Porque você tem essas costas tão grandes?" O burrinho respondeu:
  • "Burrinho: É para passear com as moças bonitas, me sinto todo honrado carregando-as em minhas costas.
  • ' O coitado do leão ficava com mais medo, mas disfarçava com perguntas. Por sua vez, o burro também estava apavorado. O leão continuou:
  • "Leão: Porque essa cauda tão cheia de pêlos e grossas?"
  • "Burro: Não é cauda, é o meu abanador; Quando estou com calor, eu me abano e me refresco." O coitado do leão até tremia de tanto medo.
  • "Leão: Porque essas orelhas tão grandes?" O burrinho respondeu:
  • "Burro: Não são orelhas, são minhas cornetas, quando estou em algum perigo, eu toco minhas cornetas e meus amigos vêem correndo me socorrer. Também gosto muito de pescar com elas." O leão apavorado disse?
  • "Leão: Pescar? Então você pesca também?" O burrinho respondeu:
  • "Burro: pesco sim." Iam caminhando os dois, até chegarem no rio que tinham que atravessar. O leão saltou na água, e nadou até a outra margem. O nosso burrinho saltou também, mas sem forças para nadar, estava se afogando. O leão pulou no rio e o salvou. Enquanto se afogava, suas orelhas se encheram de peixes, já que o rio era piscoso. O burrinho disfarçou e fingindo uma zanga disse:
  • "Burrinho, Porque você me tirou, não viu que eu estava pescando?"
  • O leão quis bater em retirada, mas pensou mais uma vez em intimidar o burrinho, com suas artimanhas, pois pensava:
  • "Leão: Vou desfiá-lo para uma caçada, porque ele não pode caçar os bichos que eu caço, e assim fez.
  • "Leão: Amigo Branca leão, vamos sair para caçar, no final do dia. nos encontraremos aqui, quem de nós for o melhor, fica sendo o rei da floresta." O burrinho com medo, concordou, e saíram os dois, cada um para um lado. O leão caçou muitos bichos, e voltou para esperar o nosso burrinho, que aflito, sem saber como caçar, deitou-se e chorou amargamente, pois sabia que ia o leão ia comê-lo. Um bando de urubus que voavam por ali à procura de comida, avistaram o nosso burrinho deitado, pensaram que estivesse morto, foram se aproximando devagar e começaram a bicá-lo, para comê-lo. O burrinho escoiceava, e a cada novo coice, ia matando urubus. Satisfeito com a "ajuda" dos urubus, levantou-se, cortou no mato um cipó, amarrou os urubus um a um, jogou-os nas costas, e lá se foi ao encontro do leão que já o esperava bastante impaciente. Ao vê-l o leão gritou:
  • "Oi amigo branca leão, o que foi que você caçou?" O burrinho todo orgulhoso, jogou sua preciosa carga ao chão e disse:
  • "Olha você mesmo! Consegui caçar aves!" O leão ficou até verde de tanto medo, pois pensava:
  • "Leão: Como ele conseguiu caçar essas aves? Sabe de uma coisa? eu vou embora antes que ele me coma." E assim fez.
  • "Leão: Amigo Branca leão, agora vou embora, mas logo volto para conversar mais com você." E o leão se foi... E assim, o nosso pobre burrinho pode respirar aliviado por não ter sido comido pelo leão, e voltou à sua pastagem.
  • Passado o medo, o leão saiu à procura de seu amigo, o compadre lobo, que ouviu a história com a maio atenção. Terminada a narrativa, o lobo disse:
  • "Lobo: Mas compadre leão, do jeito que você está falando, só pode ser um burro!
  • "Leão: Não é compadre lobo, é o Branca leão. O lobo disse:
  • "Lobo: então compadre leão, me leve até ele que quero conhecê lo." O leão com medo disse:
  • "Leão: Está bem compadre, mas vamos amarrar nossas caudas, uma na outra, assim ficamos juntos e protegidos." E assim fizeram. Amarraram as caudas e lá se foram atras do burrinho, que nesse momento fazia uma suculenta refeição, com um capim tenro, macio e verdinho, um verdadeiro manjar para o paladar dos burros. O leão e o lobo se aproximavam; atraído pelo barulho, o burrinho levantou a cabeça, reconheceu o leão, mais o seu compadre lobo, e disse:
  • "Burrinho: Nossa, ele está vindo para me comer, e ainda trouxe seu amigo!" E o coitado ficou tão apavorado, que começou a zurrar, zurrar, como um pobre burro que era. Ao ouví-lo, o leão disse para o compadre lobo:
  • "Leão: Compadre, ele está tocando as cornetas, agora todos os seus amigos, vão vir ajudá-lo." e começou a correr. O lobo não teve tempo de dizer nada. Como estavam com as caudas amarradas, o leão corria mais que o lobo, e o ia arrastando, batendo nas árvores, e em troncos que encontravam pelo caminho. de tanto bater nos galhos, o lobo morreu, mas coitado, morreu com a boca aberta. O leão olhou para trás , pra ver se o Branca leão os estava seguindo, viu o lobo com a boca aberta. Pensando que ele estivesse rindo, disse:
  • "Leão: É compadre, você está rindo, mas o caso não é de rir não... E assim o nosso burrinho pôde enfim gozar de tão merecido descanso ...
  • Moral da história: Não subestime as pessoas, o mais fraco pode ser mais inteligente

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